domingo, 16 de maio de 2010

A fome de ti é tanta









A fome de ti é tanta, amor,

e te mastigo tanto enquanto respiro,

que da solidez dentre as pernas tuas

ao vácuo dentre as pernas minhas,

-entre vens e vãos-

te como,

te sorvo,

engulo,

suspiro.



E por tanto querer-te assim, amor,

meu paladar só de ti se impregna,

tanto, que do mel da arvore tua,

tanto, que do fel da seiva minha,

-entre falos e lábios-

te beijo,

te sugo,

salivo,

deliro.



Morde-me a carne, a pétala, a alma,

lambo-te a pele, o caule, a calma,

delícia entre dentes, entre lábios, entrelinhas...

tuas cores, meus aromas, teus sabores,

sal no corpo... suores...

(con)sumo de ti em mim.

Ah, faminta e esfomeada fantasia,

meu des(a)tino é devorar-te

por entre toda essa poesia



Elise

http://ascartasdeelise.zip.net/

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